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sábado, 4 de abril de 2009

Lewis Hamilton em:

Últimas voltas do GP de Melbourne. Kubica e Vettel disputam a segunda posição. Os dois batem. Safety Car na pista. Proibido ultrapassar. Trulli dá uma escapada e perde a posição para Hamilton. Até aí tudo bem, pois o piloto italiano errou. Mas Hamilton e McLaren ficam na dúvida se o ganho de posição é passível de punição. Ambos conversam no rádio. A equipe tenta esclarecer a questão com a direção de prova mas não consegue contato. McLaren e piloto, por precaução, decidem devolver a posição a Trulli.

Entretanto, ao fim da corrida, McLaren, através do diretor esportivo David Ryan e Hamilton declaram aos comissários que o piloto estava “distraído” observando a velocidade no painel quando foi ultrapassado pelo piloto da Toyota. Tudo isso para tentarem recuperar a terceira posição fora da pista.

Foi o que aconteceu. Por alguns dias apenas. Trulli foi punido por ultrapassar com o Safety Car na pista e o inglês herdou a posição no pódio. Mas quando os comissários solicitaram a conversa de rádio entre Hamilton e McLaren, descobriram que o piloto da McLaren cedeu a posição deliberadamente.

Resultado. Foi considerado que Hamilton e McLaren agiram de má fé, tentando ludibriar os comissários a fim de obter vantagem. Piloto e equipe foram desclassificados do GP. Exagero? Para mim não. Não se deve dar espaços para esses tipos de atitudes anti-desportivas. Contudo, não sei se, caso fosse outra equipe, a FIA teria a mesma atitude. Já que a entidade está com a equipe entalada na garganta desde o episódio de espionagem em 2007.

Para tentar apagar a imagem ruim deixada com a atitude ruim do GP de Melbourne, Hamilton deu entrevista coletiva pedindo desculpas, dizendo que foi orientado pela equipe e jurando que nunca mais algo parecido iria acontecer. A McLaren, para salvar a aura de bom moço do menino, considerou a falha no episódio como local, colocando a culpa em David Ryan, que foi suspenso pela equipe. Ryan pode ter sido culpado sim, mas não foi o único, a equipe estava ciente de tudo. O diretor esportivo, que atua na categoria desde 74, acabou pagando o pato para que os figurões da F1 não saíssem com a imagem mais arranhada ainda.

É melhor a escuderia prateada abrir o olho e parar de se meter em tramóias. Uma imagem associada a episódios negativos com tanta freqüência pode afastar patrocinadores. Se bem que estes já superaram o escândalo da espionagem, mas se as atitudes da equipe continuarem assim, aí...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Viva o imprevisível!


Estou de volta! E a F1 também! Já estava com saudade dos carros na pista e cansado das picuinhas de bastidores. Ainda mais depois da ameaça dos tios Mosley e Ecclestone de destruírem a categoria com o sistema de vitórias, que graças a Deus foi adiado para 2010 e deverá ser abortado até lá.

E logo de cara um GP da Austrália emocionante! A pista de Melbourne é tradicional por propiciar corridas imprevisíveis e não seria em 2009, com tantas mudanças de regulamento, que teríamos um domingo monótono!

Como já estamos nos aproximando da segunda etapa, vou deixar apenas pequenas apreensões que tive da primeira corrida.

Os últimos serão os primeiros?

Temos uma nova hierarquia de forças na F1? Sim, temos. Entretanto é muito cedo falar que "a Brawn vai ser campeã", "Ferrari e Mclaren não irão a lugar nenum". Nunca presenciei uma temporada tão aberta de possibilidades.

A Brawn GP realmente disponta na frente. E não é só pelos difusores mágicos não. O carro é bom, muito bom. E a equipe parece estar no caminho certo para ser competitiva o ano inteiro. "O curioso caso de Jenson Button" levou o prêmio de melhor piloto na Austrália com merecimento. Rubens, mais rápido no Q1 e Q2 no sábado, perdeu de lavada pro companheiro no Q3. Na corrida, largou mal, caiu pra oitavo, se envolveu em [sessão da tarde] altas confusões [/sessão da tarde], e mesmo assim chegou em segundo. Como meus colegas disseram, a Brawn começou o ano no modo easy.

As outras duas equipes pertencentes ao grupo dos difusores mágicos: Williams e Toyota, que se mostraram muito bem nos treinos, não tiveram tão bons resultados na corrida. No caso da Williams faltou piloto e estratégia: Nakajima é fraco, Rosberg é bom, mas nada demais. E a perna longa para os pneus macios acabou com a boa corrida do alemão. Já a Toyota tinha carro pra disputar pódio. Se classificou bem no grid, mas largou atrás por irregularidades nos aerofólios traseiros. Trulli e Glock fizeram corridaças! Mas o italiano vacilou, passou Hamilton com o safety car na pista e jogou tudo fora. Glock foi o quarto.

Além dessas três equipes que se mostraram competitivas nessa primeira corrida, houve mais dois pilotos que conseguiram andar lá na frente: os promissores Kubica com a BMW e Vettel com a Red Bull. Dois incríveis pilotos, muito potencial! Fizeram um fim de semana quase perfeito, deram banho nos companheiros de equipe... Mas jogaram tudo fora por inexperiência a algumas voltas do fim. Kubica, na ânsia por tentar alcançar Button, forçou demais por fora. O alemão, achando que ainda dava pra segurar, mesmo com rendimento bem abaixo que o adversário, forçou demais por dentro. Resultado: muro pros dois.

E não achem que as outras equipes estão mortas. Não duvide do potencial, principalmente da Ferrari, BMW e McLaren. Quando o difusor mágico for liberado ou proibido, e o primeiro grande pacote de evoluções dos carros for pra pista, teremos um cenário mais real do que pode ser a temporada. Aposto em grande crescimento durante o ano dessas três equipes que mencionei. Creio que as duas primeiras ainda vão disputar o título. A escuderia de Maranello precisa ainda melhorar a confiabilidade dos carros e a McLaren terá que trabalhar muito se quiser brigar lá na frente também.

"Mas Hamilton já chegou em terceiro.", dirão. É, isso mostra que ele é um ótimo piloto, assim como Alonso que chegou em quinto, também é. E não que a McLaren é um ótimo carro, assim como a Renault, que não nasceu legal, também não é. Os dois campeões mundiais fizeram o máximo que podiam (e tenham certeza que isso é coisa pra caramba!), e chegaram lá na frente beneficiados por quebras e batidas.

De resto temos Force India e Toro Rosso, que parecem mesmo que vão ficar lá por trás mesmo.

Nas próximas 2 ou 3 corridas parece que ainda teremos esse cenário de forças descrito acima. Entretanto, como eu disse, não dá para garantir que essa hierarquia será definitiva esse ano. Viva o imprevisível! Viva a Fórmula 1 2009!