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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O outro lado da moeda


Vimos muito o lado brasileiro na decisão da F1. Pensamos como foi duro Felipe Massa perder no fim como perdeu. Mas vamos ao outro lado. Seria duro da mesma forma para Lewis Hamilton caso perdesse o título nas últimas voltas também. Ainda mais depois da derrota na temporada de 2007 após dois erros grosseiros nas duas últimas provas. O que será que deve ter passado na cabeça do inglês ao ser ultrapassado por Vettel no GP Brasil? “Ai meu Deus! Estou entregando de novo! Acho que nunca serei campeão!”, acho que algo do tipo! Caso Hamilton perdesse mais um mundial na última etapa entrando como grande favorito, não sei se ele teria condições psicológicas para continuar tão competitivo nas temporadas seguintes.

Um grande talento

Hamilton é um piloto de um talento admirável, tem potencial para ser um fora de série. Contudo, possui uma instabilidade psicológica que pode lhe custar o lugar no seleto grupo dos gênios do esporte. Acredito que muito se deve ao fato de Lewis ter chegado muito, mas muito rápido ao topo. É muito difícil ver na F1 um piloto conseguir ser tão competitivo logo em sua temporada de estréia. Graças a seu talento, e a uma forçinha da McLaren, Lewis conseguiu essa façanha, mas sua inexperiência custou o título do ano passado.

Ron Dennis o “adotou” desde os tempos de kart. O chefe da McLaren Viu no menino, um talento em potencial e, além disso, um marketing em potencial. Hamilton poderia se tornar o primeiro negro a ser campeão da F1, além de ter a oportunidade de novamente um inglês ser campeão pela inglesa McLaren. Em 2007, Ron colocou Hamilton com Alonso para o garoto ganhar experiência, exigiu que o carro do estreante tivesse o acerto copiado do espanhol. Ron acreditava que o jovem inglês iria crescer bastante, mas não imaginava que seu pupilo ia se destacar tão cedo. Vendo a oportunidade de fazer mais história ainda, tornando Hamilton o primeiro campeão no ano de estréia (claro, além de Farina na 1ª temporada onde todos eram estreantes), Ron Dennis abdicou do bi-campeão mundial Alonso e fez de tudo para o inglês ser campeão. Foi muita pressão, Hamilton não agüentou.

Mas agora, já campeão (o mais jovem da história da categoria), e ainda mais nas condições que ocorreram, o inglês tem a chance de superar o fantasma da derrota de 2007, colocar a cabeça no lugar e construir uma carreira excepcional na F1. Talento não falta, só falta cabeça. Será que ele conseguirá?

Dupla da Renault confirmada para 2009

Foi anunciado essa semana que Fernando Alonso e Nelsinho Piquet formarão, ano que vem, novamente a dupla de pilotos da Renault. O espanhol renovou por mais dois anos e o brasileiro por mais um.

A notícia é muito boa. Nelsinho fez uma temporada apenas regular esse ano e foi ofuscado pelo bicampeão Alonso. Mas pelo seu histórico, merece uma segunda chance na categoria. Piquet é campeão da F3 Sul-americana e da F3 britânica. Em 2006 disputou o título da GP2, mas foi superado pelo talentoso Hamilton, agora campeão também da F1.

Na Renault em 2008, Nelsinho, mesmo com muito talento, não teria como bater de frente com Alonso. O espanhol, na volta à equipe, exigiu tratamento diferenciado para evitar surpresas como Hamilton em 2008 na McLaren.

Entretanto, se Nelsinho quiser ter vida longa na maior categoria de automobilismo do mundo, terá que se apresentar muito melhor no próximo ano. Há outros pilotos na sombra dele por uma vaga na Renault. Dentre estes, um outro brasileiro: o promissor Lucas Di Grassi, piloto de enorme potencial, vice-campeão da GP2 em 2007 e terceiro lugar em 2008, mesmo entrando apenas na sétima etapa da competição.

A situação de Alonso é diferente. Depois de ter seu nome ventilado em equipes como Honda, Toro Rosso e até Ferrari, o espanhol decidiu permanecer na Renault. Acredito que a escolha foi acertada. O príncipe das Astúrias sabe que a equipe se fortificou ao longo do ano e pode lhe oferecer um carro ainda mais competitivo ano que vem.

Aliás, Alonso foi fantástico esse em 2008. Teve um início de temporada tímido, mas cresceu junto com o carro ao longo da temporada, conseguiu ganhar duas etapas e foi o piloto que marcou mais pontos nas últimas oito corridas, mais que Massa e Hamilton! O bi-campeão mundial mostrou a todos quem é o melhor piloto em atividade da F1.