A Toro Rosso irá realizar, na próxima semana, três dias testes no circuito de Catalunha, Barcelona.
Três pilotos revezarão o cockpit da equipe italiana na pista espanhola.
A novidade é Sebastian Buemi, piloto de testes da Red Bull Racing. Os outros dois pilotos são Takuma Sato, já informado anteriormente, e Sebastien Bourdais, que correu pela equipe em 2008.
Parece que teremos poucas mudanças nos cockpits da Fórmula 1 em 2009. As cinco melhores equipes de 2008 (Ferrari, McLaren, BMW, Renault e Toyota) continuarão com as mesmas duplas. A Williams também confirmou a manutenção de seus pilotos. Só poderemos ver alterações nas equipes restantes.
A campeã de construtores de 2008 manterá Felipe Massa e Kimi Raikkonen em 2009. Os dois têm contrato até 2010.
A McLaren continuará com o campeão Lewis Hamilton. A equipe renovou com o burocrático Heikki Kovalainen. Com o finlandês fica difícil ser campeã de construtores...
A ótima dupla Robert Kubica e Nick Heidfeld continuará guiando a BMW Sauber em 2009.
A Renault anunciou recentemente a renovação de contrato do bi-campeão Fernando Alonso até 2010. Nelsinho Piquet ganhou uma segunda chance em 2009.
A Toyota continuará com o italiano Jarno Trulli e o alemão Timo Glock na próxima temporada.
A Toro Rosso ainda não confirmou seus pilotos para 2009. Bruno Senna e Takuma Sato realizarão testes pela equipe. Rubens Barrichello negocia com a equipe.
Após ter sido superada pela pupila Toro Rosso, a Red Bull manteve Mark Webber e, no lugar do aposentado David Coulthard, colocou o promissor Sebastian Vettel.
Nenhuma mudança na Williams. Continua com Nico Rosberg e Kazuki Nakajima.
Jenson Button confirmado e parece as chances de Barrichello se manter são remotas. A equipe disse querer sangue novo. Em 2009, a Honda terá a Petrobrás como fornecedora de combustíveis e lubrificantes, por isso a segunda vaga deverá ser brasileira. Bruno Senna e Lucas di Grassi realizarão testes. Apesar de Lucas parecer melhor piloto, a Honda deve optar por Senna, pelo potencial de marketing que o sobrinho de Ayrton poderá gerar.
A Force India, que acabou de anunciar parceria tecnológica com a McLaren após romper com a Ferrari recentemente, ainda não confirmou a dupla. Provavelmente continuará com Giancarlo Fisichella e Adrian Sutil, mas poderemos ter surpresas no cockpit oriental.
Vimos muito o lado brasileiro na decisão da F1. Pensamos como foi duro Felipe Massa perder no fim como perdeu. Mas vamos ao outro lado. Seria duro da mesma forma para Lewis Hamilton caso perdesse o título nas últimas voltas também. Ainda mais depois da derrota na temporada de 2007 após dois erros grosseiros nas duas últimas provas. O que será que deve ter passado na cabeça do inglês ao ser ultrapassado por Vettel no GP Brasil? “Ai meu Deus! Estou entregando de novo! Acho que nunca serei campeão!”, acho que algo do tipo! Caso Hamilton perdesse mais um mundial na última etapa entrando como grande favorito, não sei se ele teria condições psicológicas para continuar tão competitivo nas temporadas seguintes.
Um grande talento
Hamilton é um piloto de um talento admirável, tem potencial para ser um fora de série. Contudo, possui uma instabilidade psicológica que pode lhe custar o lugar no seleto grupo dos gênios do esporte. Acredito que muito se deve ao fato de Lewis ter chegado muito, mas muito rápido ao topo. É muito difícil ver na F1 um piloto conseguir ser tão competitivo logo em sua temporada de estréia. Graças a seu talento, e a uma forçinha da McLaren, Lewis conseguiu essa façanha, mas sua inexperiência custou o título do ano passado.
Ron Dennis o “adotou” desde os tempos de kart. O chefe da McLaren Viu no menino, um talento em potencial e, além disso, um marketing em potencial. Hamilton poderia se tornar o primeiro negro a ser campeão da F1, além de ter a oportunidade de novamente um inglês ser campeão pela inglesa McLaren. Em 2007, Ron colocou Hamilton com Alonso para o garoto ganhar experiência, exigiu que o carro do estreante tivesse o acerto copiado do espanhol. Ron acreditava que o jovem inglês iria crescer bastante, mas não imaginava que seu pupilo ia se destacar tão cedo. Vendo a oportunidade de fazer mais história ainda, tornando Hamilton o primeiro campeão no ano de estréia (claro, além de Farina na 1ª temporada onde todos eram estreantes), Ron Dennis abdicou do bi-campeão mundial Alonso e fez de tudo para o inglês ser campeão. Foi muita pressão, Hamilton não agüentou.
Mas agora, já campeão (o mais jovem da história da categoria), e ainda mais nas condições que ocorreram, o inglês tem a chance de superar o fantasma da derrota de 2007, colocar a cabeça no lugar e construir uma carreira excepcional na F1. Talento não falta, só falta cabeça. Será que ele conseguirá?
Foi anunciado essa semana que Fernando Alonso e Nelsinho Piquet formarão, ano que vem, novamente a dupla de pilotos da Renault. O espanhol renovou por mais dois anos e o brasileiro por mais um.
A notícia é muito boa. Nelsinho fez uma temporada apenas regular esse ano e foi ofuscado pelo bicampeão Alonso. Mas pelo seu histórico, merece uma segunda chance na categoria. Piquet é campeão da F3 Sul-americana e da F3 britânica. Em 2006 disputou o título da GP2, mas foi superado pelo talentoso Hamilton, agora campeão também da F1.
Na Renault em 2008, Nelsinho, mesmo com muito talento, não teria como bater de frente com Alonso. O espanhol, na volta à equipe, exigiu tratamento diferenciado para evitar surpresas como Hamilton em 2008 na McLaren.
Entretanto, se Nelsinho quiser ter vida longa na maior categoria de automobilismo do mundo, terá que se apresentar muito melhor no próximo ano. Há outros pilotos na sombra dele por uma vaga na Renault. Dentre estes, um outro brasileiro: o promissor Lucas Di Grassi, piloto de enorme potencial, vice-campeão da GP2 em 2007 e terceiro lugar em 2008, mesmo entrando apenas na sétima etapa da competição.
A situação de Alonso é diferente. Depois de ter seu nome ventilado em equipes como Honda, Toro Rosso e até Ferrari, o espanhol decidiu permanecer na Renault. Acredito que a escolha foi acertada. O príncipe das Astúrias sabe que a equipe se fortificou ao longo do ano e pode lhe oferecer um carro ainda mais competitivo ano que vem.
Aliás, Alonso foi fantástico esse em 2008. Teve um início de temporada tímido, mas cresceu junto com o carro ao longo da temporada, conseguiu ganhar duas etapas e foi o piloto que marcou mais pontos nas últimas oito corridas, mais que Massa e Hamilton! O bi-campeão mundial mostrou a todos quem é o melhor piloto em atividade da F1.
A última etapa da temporada 2008 de F1 é um divisor de águas na carreira de Felipe Massa. Antes desta corrida, Felipe era um piloto admirado pelo público brasileiro que depositava grandes esperanças nele por ver novamente um compatriota na briga pelo título. Mesmo assim, Massa ainda era visto com desconfiança por parte da imprensa e do povo. Mas após o término do campeonato, pelas circunstâncias que foram e pela forma que o piloto brasileiro se portou após a derrota, Felipe agora é um ídolo nacional, conquistou ainda mais seus admiradores, além de ter ganho outros milhares, orgulhosos de seu feito e de sua reação sóbria com a derrota.
Essa última etapa é o marco, mas essa mudança da visão sobre o brasileiro não aconteceu só por causa dela, foi conquistada ao longo desse ano de 2008. Massa mostrou que é um ótimo piloto, não é fora de série, mas tem técnica e espírito de campeão. Após duas fracas atuações nas duas primeiras etapas do ano, Massa teve uma recuperação técnica e moral incrível. Foi de longe o piloto que mais cresceu durante o ano. Desbancou o campeão Raikkonen em iguais condições. E no Brasil, coroou seu ano com uma atuação perfeita. Não ganhou o título, mas ganhou respeito, moral e mais milhares de fãs, dentre estes, eu.
Após o GP do Brasil, boa parte dos brasileiros apontou o alemão Timo Glock, que foi ultrapassado por Hamilton na última curva, como o grande vilão da derrota de Massa. Injustiça. Glock na verdade quase foi o herói, ao lado de Vettel, da conquista do brasileiro. Faltando seis voltas, Hamilton era o quarto e estava com os títulos nas mãos. Mas a chuva caiu e o piloto da Toyota tentou a cartada de ficar na pista com pneus de pista seca e torcer para a chuva não aumentar, uma tentativa válida de uma equipe que ocupava o sétimo lugar e não tinha nada a perder. Glock chegou a ficar em quarto, o que seria fundamental para a conquista do brasileiro. Contudo a chuva apertou nas duas últimas voltas e o alemão não agüentou.
Sem teorias da conspiração. É dificílimo de guiar na chuva com pneus para seco. Eu já experimentei isso no kart e sei como é complicado. O tempo de volta de Glock é totalmente aceitável nas condições que estava.
Trulli, seu companheiro de equipe também adotou a mesma estratégia e obteve os mesmos resultados.
Algumas informações retiradas do blog do Flávio Gomes:
As três últimas voltas de Trulli: 1min22s428, 1min33s539, 1min44s800. As três últimas de Timo: 1min18s688, 1min28s041, 1min44s731. As três últimas de Vettel: 1min23s318, 1min25s221, 1min25s984. As três últimas de Hamilton: 1min24s612, 1min25s567, 1min26s126.
Não, Glock não foi o responsável por Hamilton ser campeão. Ele quase foi responsável pelo contrário! Somando os tempos das seis últimas voltas de Massa (511s140), Hamilton(521,445), Vettel (520s013) e Glock (507s165) chega-se a conclusão que o piloto da Toyota ganhou tempo com a estratégia de não parar. Se Glock (ou a Toyota) quisesse entregar o título para o inglês, bastaria ter parado nos boxes para trocar os pneus e pronto. Infelizmente para os brasileiros, a estratégia de Glock não foi suficiente para ele ficar à frente do inglês. Se a chuva tivesse apertado segundos depois...
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Para os que ficaram na dúvida se Kubica, que tirou uma volta de Vettel e Hamilton à duas voltas do fim, estava de pneus para chuva, segue o relatório da Bridgestone sobre os pneus usados em Interlagos. Kubica estava de pneus para seco e se aproveitou da briga dos dois para ultrapassá-los.
Segue abaixo o gráfico das parciais de todos os pilotos na última volta. Vejam que Glock e Trulli, os únicos na pista com pneus para pista seca, perderam muito tempo no segundo setor (o miolo), onde é mais difícil de andar no molhada.
Mesmo com todas as evidências, Massa foi tirar satisfação com Glock, veja no vídeo abaixo:
Nunca um champanhe no alto de um pódio de Fórmula 1 desceu tão amargo quanto o tomado por Felipe Massa nesse domingo, dia 2 de novembro. Mesmo não sendo campeão, o champanhe não teria esse gosto caso a corrida transcorresse normalmente sem aquele final espetacular. Mas o misto de sensações experimentados pelos milhões de brasileiros naquelas últimas voltas também foi sentido por Felipe: ele estava ciente das trocas de posições de Hamilton.
Faltando poucas voltas para acabar a prova a sensação era de Conformismo com a quarta colocação do inglês. Em seguida veio a chuva e junto com ela a Esperança de que algo improvável poderia acontecer. Os pilotos do pelotão da frente pararam nos boxes para colocar pneus de chuva, exceto Trulli e Glock que continuaram com os de pista seca. Com isso o alemão da Toyota colocou-se a frente de Hamilton que nessa hora era o quinto e ainda estava pressionado por Vettel. Aí veio a ultrapassagem de piloto da Toro Rosso e a Euforia! Sim, o improvável estava acontecendo! Massa estava fazendo história, era um momento épico, o brasileiro estava sendo campeão na frente de uma multidão em delírio nas arquibancadas! E ele cruzou a linha de chegada como campeão! Mas foi aí que veio a Decepção. Glock, que estava 19s a frente do quinto lugar, mal conseguia se manter na pista molhada com a chuva que aumentava e foi superado por Vettel e Hamilton. O inglês chegou em quinto e calou Interlagos.
Um desfecho amargo para os brasileiros, mas espetacular para o automobilismo, fechando gloriosamente um dos mais emocionantes campeonatos de Fórmula 1 dos últimos muitos e muitos anos!
Estudante de Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal Fluminense. Piloto de kart amador e apaixonado por automobilismo desde que se entende por gente.